Os Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas, desenvolvidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em colaboração com pesquisadores da Universidade do Novo México e comunidades indígenas, receberam a certificação de tecnologia social da Fundação Banco do Brasil.
A iniciativa concorre ao 13º Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, edição especial de 40 anos, que ocorrerá em maio deste ano. Com metodologia promissora e impactos positivos comprovados, o projeto também passa a integrar a plataforma Transforma FBB, rede digital que envolve soluções sociais de vários países.
Para a coordenadora da proposta e pesquisadora do Museu Goeldi, Ana Vilacy, a importância da certificação consiste na afirmação da demanda dos povos indígenas que lutam para preservar línguas ameaçadas. “Ao mesmo tempo, o certificado reconhece a ação política das comunidades indígenas falantes dessas línguas tradicionais, que querem retomar o aprendizado e a transmissão no seio das suas próprias comunidades”, acrescenta.
Além disso, segundo Ana Vilacy, o certificado garante maior visibilidade aos Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas, tornando a tecnologia mais acessível em larga escala, favorecendo a criação de outros dicionários por povos interessados.
As línguas Kanoé, Oro Win, Puruborá, Sakurabiat, Salamãi e Wanyam já possuem dicionários criados com base na metodologia elaborada pelo Museu Goeldi, disponíveis no portal do projeto. O acervo também inclui o dicionário temático “Lugares sagrados do Medzeniakonai, desenvolvido pelo pesquisador indígena Artur Baniwa.
Ana Vilacy ressalta que mais quatro dicionários estão sendo elaborados – das línguas Makurap, Wayoró, Kujubim e Djeoromitxi –, com previsão de lançamento ainda em 2026. “Também estamos trabalhando a metodologia com professores e alunos indígenas do curso intercultural indígena da Universidade Federal do Maranhão para produzir vocábulos, pequenos dicionários das suas próprias línguas, como atividades curriculares”, concluiu.
Por Isabella Cordeiro